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Transporte público na mira da Justiça: falhas no serviço e pressão por mudanças

Plantão: Intervenção no transporte O transporte público de Campo Grande, operado pelo Consórcio Guaicurus, está sob intervenção judicial após decisão ...

Transporte público na mira da Justiça: falhas no serviço e pressão por mudanças
Transporte público na mira da Justiça: falhas no serviço e pressão por mudanças (Foto: Reprodução)

Plantão: Intervenção no transporte O transporte público de Campo Grande, operado pelo Consórcio Guaicurus, está sob intervenção judicial após decisão da Justiça que apontou falhas no contrato e omissão da prefeitura na fiscalização do serviço. Após explicar o conceito e como funcionam as rotas alternativas, o g1 mostra como o planejamento urbano influencia o trajeto da população e analisa os impactos da crise no sistema de ônibus da capital. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Justiça dá prazo para regularização do transporte público em Campo Grande A Justiça de Campo Grande determinou que a prefeitura apresente, até 9 de março de 2026, um plano para regularizar o transporte coletivo da capital. A decisão envolve o Consórcio Guaicurus, responsável pelo serviço de ônibus, e aponta descumprimento de contrato e falhas na fiscalização do poder público. A ordem é do juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. Ela obriga o Município, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg) a apresentarem um plano de ação e a abrirem uma investigação administrativa sobre o contrato com o consórcio. Falhas no serviço e omissão do poder público Na decisão, o juiz afirma que há indícios claros de que o consórcio não cumpre as cláusulas do contrato. Ele também classificou a atuação da prefeitura como omissa no dever de fiscalizar o serviço prestado à população. Segundo o magistrado, essa falta de fiscalização pode tornar o poder público responsável por prejuízos causados aos passageiros. "Há contundentes indícios de que a Guicurus [Consórcio Guaicurus] não cumpre as cláusulas do contrato de concessão, e só a administração municipal é que não sabe disso. A omissão da administração pública em fiscalizar pode caracterizar culpa in vigilando (falha no dever de vigilância), o que pode responsabilizar o ente público civilmente por danos causados a terceiros pelas concessionárias." O que será investigado A investigação deve analisar pontos básicos do serviço, como: Pontualidade: cumprimento dos horários; Frota: idade dos veículos, manutenção e segurança; Acessibilidade: funcionamento de elevadores e rampas para cadeirantes; Tempo de espera: quanto o passageiro aguarda nos pontos. O processo deverá ser público e contar com participação da sociedade civil. Intervenção: o que a Justiça determinou Ônibus em Campo Grande. Divulgação A Justiça não decretou a intervenção direta no sistema de ônibus. Essa decisão, por lei, cabe à prefeitura. O que foi determinado é a abertura do processo que avalia se a intervenção será necessária. Segundo o juiz, o objetivo é tirar a administração municipal da inércia e forçar medidas concretas para corrigir os problemas. Se o plano de ação não for apresentado e a investigação não for iniciada dentro do prazo, a prefeitura poderá pagar multa diária de R$ 300 mil, por até 100 dias. A Justiça também pode bloquear contas públicas para garantir o pagamento. Contexto: greve e colapso no serviço A decisão judicial foi tomada em dezembro de 2025, durante a greve dos ônibus, que durou quatro dias. Na época, a Justiça apontou falhas na frota, na gestão do consórcio e na fiscalização do contrato. Segundo o magistrado, a paralisação agravou a situação e ampliou os prejuízos à população, que ficou sem transporte para trabalhar, estudar e acessar serviços básicos. Para a Justiça, a falta de medidas do município diante das falhas contratuais pode ser considerada ilegal e contrária aos princípios da administração pública. O que é a intervenção na prática? A intervenção permite que a gestão do serviço seja assumida por um interventor indicado pelo poder público, substituindo o consórcio. Esse processo não é imediato. A decisão judicial determina que a prefeitura, a Agetran e a Agereg indiquem um interventor e apresentem um plano de ação com cronograma para corrigir os problemas. Entre as medidas previstas estão: verificação da frota; análise das condições dos veículos; avaliação da tarifa; reorganização do atendimento ao usuário. A Justiça pode estabelecer um período para a execução das medidas. Segundo o engenheiro civil e especialista em mobilidade urbana, Jéder Muniz da Silva, o foco inicial deve ser o usuário do transporte coletivo. "Desde as questões de tarifa, da qualidade do próprio veículo pra poder fazer o atendimento da população da melhor forma possível. A gente não pode determinar um prazo específico porque precisa verificar toda a documentação, toda essa frota, e precisa fazer o atendimento ao público." O juiz destacou que a intervenção tem caráter investigativo e preventivo, e não punitivo. Série especial do g1 📌 Acompanhe a série e entenda como decisões de planejamento urbano, mobilidade e transporte público impactam, todos os dias, o caminho que você faz pela cidade. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: