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Remédio caseiro faz mal? Ciência alerta para riscos de plantas

Evento em MS mostra avanços da ciência sobre plantas medicinais Muito além do chá, as plantas usadas há gerações como remédios caseiros também estão n...

Remédio caseiro faz mal? Ciência alerta para riscos de plantas
Remédio caseiro faz mal? Ciência alerta para riscos de plantas (Foto: Reprodução)

Evento em MS mostra avanços da ciência sobre plantas medicinais Muito além do chá, as plantas usadas há gerações como remédios caseiros também estão no radar da ciência em pesquisas que buscam entender seus efeitos, formas seguras de uso e possíveis aplicações na saúde. Em Campo Grande, pesquisadores, produtores e representantes da comunidade discutiram, durante o 23º Workshop de Plantas Medicinais, o uso de plantas medicinais, a segurança no consumo e o cultivo dessas espécies como alternativa de renda para agricultores familiares. O encontro também abordou pesquisas sobre o uso dessas plantas na produção de medicamentos fitoterápicos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp O encontro reuniu pesquisadores, produtores e representantes da comunidade para discutir como o conhecimento popular pode ser associado à ciência no desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos. A iniciativa busca incentivar o cultivo de plantas medicinais por agricultores familiares e ampliar a oferta de matéria-prima para pesquisas e produtos de saúde. Conhecimento popular e ciência Para a etnobotânica Arlene Rocha, o uso de plantas medicinais deve estar associado à identificação correta das espécies e a informações científicas. "Nós temos uma variedade de espécies de plantas que são parecidíssimas, tanto nas suas propriedades quanto no seu vegetal, no seu aroma. Então, esse encontro do popular com a ciência é fundamental para o meu trabalho", informou. Segundo ela, a combinação entre conhecimento tradicional e pesquisa também ajuda a orientar a população sobre o uso correto das plantas. "Nós gostamos muito de repassar esse conhecimento baseado na eficácia, segurança, para que a gente garanta que a população está utilizando de maneira correta. Então, quando nós unimos comunidade como um todo com a universidade, é nesse sentido. E valorizar a biodiversidade, principalmente aqui no Mato Grosso do Sul", afirmou a professora Silvia Cristina Heredia Vieira. Expositores com amostras de chás e plantas, em Campo Grande Magno Leme/TV Morena Farmácia Viva será ligada ao SUS O Ministério da Saúde e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) também participam de um projeto para implantar a Farmácia Viva em Mato Grosso do Sul. A Farmácia Viva é uma iniciativa vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS) que envolve o cultivo, a coleta e a produção de produtos a partir de plantas medicinais. "A Farmácia Viva é um estabelecimento onde há plantas medicinais. E nós temos três etapas (...) Nós temos desde o cultivo, coleta, até a dispensação de produtos que são produzidos a partir dessas plantas medicinais. E aí, é totalmente vinculado ao SUS", disse Silvia Cristina Heredia Vieira. Produtores mantêm conhecimento sobre ervas medicinais Jorge Amaral trabalha há 30 anos com ervas medicinais. Natural do Rio Grande do Sul, ele passou a atuar na região de Dourados. "Começou com o meu pai. Meu pai já mexia com isso aqui. E aí, fui pro garimpo com ele, lá no garimpo, que eu aprendi mais, né? Porque lá é isso aqui que manda, né? Que cura. Eu tomo um que o Jô Soares tomava, a sucupira no vinho", relatou o produtor. Segundo Jorge, a preparação de sucupira no vinho é usada por ele para aliviar dores na perna. "Sucupira no vinho. Eu tô tomando, porque às vezes tem dor na perna." Especialistas alertam para riscos do uso sem orientação Apesar do uso tradicional, as plantas medicinais podem causar efeitos adversos e interagir com medicamentos, alimentos e outras plantas. Por isso, especialistas recomendam orientação de profissionais de saúde antes do uso. Jorge ressalta que é preciso ter cuidado ao usar plantas medicinais. "Tem um lado perigoso também, tem que saber usar isso aqui. Não é de qualquer jeito não. Dessa planta pode fazer droga, inseticida, pode fazer pomada, xarope, repelente. A diferença entre a droga e o curativo é a dosagem e a mistura", afirma o produtor. A professora Silvia Cristina Heredia Vieira, do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional de uma universidade particular de Campo Grande, diz que muitas pessoas acreditam que, por serem naturais, as plantas não fazem mal. "As plantas, elas podem interagir com outras plantas, interagir com medicamentos e interagir com alimentos. Então a gente tem que saber como utilizar, o horário de se utilizar, a quantidade e principalmente a espécie correta", afirma a especialista. Um dos exemplos citados pela especialista é o inhame. Segundo ela, o alimento não deve ser consumido cru na preparação mencionada durante o encontro. "O suco de inhame que as pessoas utilizam na forma crua e não pode ser utilizado, ele precisa ser cozido, porque ele tem substâncias que parecem agulhas. Quando você cozinha, essas substâncias são quebradas. Então, a população não pode utilizar na forma crua e tem sido muito comum." Outro exemplo citado pela especialista é a babosa. "Tem a famosa babosa que as pessoas preparam suco, tomam, falam que se sentem bem, só que ela tem algumas substâncias chamadas de antracnonas, que podem fazer mal. Então, o uso é tópico, é como cicatrizante." Os especialistas recomendam procurar profissionais de saúde antes de usar plantas medicinais para fins terapêuticos. Agricultura familiar pode fornecer matéria-prima Além de contribuir para pesquisas e produtos de saúde, o cultivo de plantas medicinais pode gerar renda para agricultores familiares. Pesquisadores afirmam que o avanço das pesquisas e o desenvolvimento de novos produtos também dependem de produtores capazes de fornecer matéria-prima. "Nós queremos incentivar o cultivo das plantas medicinais, porque, por muitas vezes, enquanto pesquisadora, eu vejo o seguinte, nós estudamos, desenvolvemos produtos, mas nós não temos quem cultive essas plantas. Então, onde nós vamos conseguir as matérias-primas? A gente quer incentivar esses agricultores." O conhecimento tradicional também pode servir de base para novas pesquisas. A partir das informações transmitidas entre gerações, os pesquisadores investigam propriedades e substâncias presentes nas plantas. A médica Patrícia Corrêa Dias, doutora em clínica médica, afirma que a união entre conhecimento popular e ciência é importante para pensar a saúde de forma ampla. "O conhecimento popular, na maioria das vezes, é a grande base, é o que abre as portas para que uma planta medicinal, uma substância ativa natural, entre na pesquisa científica. Nós valorizamos muito a tradicionalidade, esse conhecimento que é passado de geração em geração". Segundo a médica, estudos químicos, farmacológicos e toxicológicos são necessários para avaliar a segurança e a eficácia das substâncias. Plantas medicinais e medicamentos para emagrecer O encontro também discutiu pesquisas sobre substâncias presentes em plantas medicinais que podem atuar na saciedade. A discussão ocorre em meio ao aumento do uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento. Esses medicamentos atuam, entre outros mecanismos, sobre os hormônios GLP-1 e GIP, relacionados à regulação da saciedade. "Explorando o mesmo alvo de ação farmacológica, nós temos muitas plantas medicinais e muitas substâncias ativas que conseguem interagir com esses mesmos alvos das canetas", explicou Patrícia Dias. A médica afirma ainda que substâncias naturais podem estimular o intestino a produzir hormônios relacionados à saciedade. "A gente tem substâncias ativas naturais administráveis por via oral que conseguem, por exemplo, estimular o nosso intestino a produzir os nossos próprios hormônios GLP-1 e GIP. Isso já está muito bem caracterizado pela ciência. E, dessa forma, contribuir como suporte a esses pacientes, principalmente no processo de desmame da medicação". Segundo a médica, em casos de menor excesso de peso, os fitoterápicos podem ser uma alternativa, por terem uma ação considerada mais amena. Produtos naturais que ajudam no emagrecimento também foram pauta em encontro Magno Lemes/TV Morena Veja vídeos de Mato Grosso do Sul