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Presidente da Santa Casa segue presa após audiência e está ‘indignada’ com acusação de desvios de R$ 4,9 milhões, diz defesa

Santa Casa de Campo Grande é alvo de operação que apura desvios milionários no hospital A diretora-presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima...

Presidente da Santa Casa segue presa após audiência e está ‘indignada’ com acusação de desvios de R$ 4,9 milhões, diz defesa
Presidente da Santa Casa segue presa após audiência e está ‘indignada’ com acusação de desvios de R$ 4,9 milhões, diz defesa (Foto: Reprodução)

Santa Casa de Campo Grande é alvo de operação que apura desvios milionários no hospital A diretora-presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e os outros cinco presos na Operação Antidotum continuam presos após passarem por audiências de custódia neste sábado (12). Segundo a defesa, Alir nega qualquer irregularidade e está “indignada com as acusações e com a prisão”. A operação investiga supostos desvios e prejuízos de pelo menos R$ 4,9 milhões em contratos ligados ao maior hospital de Mato Grosso do Sul. Conselho da Santa Casa apoia presidente e diretores presos em investigação sobre desvios de R$ 4,9 milhões e promete manter atendimentos Presidente e diretores da Santa Casa são presos em operação que apura desvios de R$ 4,9 milhões no maior hospital de MS Além da presidente, estão presos três diretores, uma supervisora da Santa Casa e um empresário. Os seis foram alvos de mandados de prisão preventiva cumpridos na sexta-feira (11). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Ao g1, o advogado de Alir, Murilo Marques, afirmou que a defesa já teve acesso às acusações e prepara um pedido para tentar revogar a prisão preventiva nos próximos dias. “Ela nega que tenha cometido qualquer ilícito, está bem tranquila em relação a isso e indignada com as acusações e com a prisão”, afirmou. Segundo o advogado, a audiência de custódia não analisa o mérito das acusações, mas a legalidade e as circunstâncias da prisão. “Como o magistrado, na audiência de custódia, não analisa os fatos e a acusação, manteve a prisão preventiva. Estamos analisando as acusações para apresentarmos os devidos esclarecimentos e pedirmos a liberdade da Alir. Nos próximos dias já devemos fazer o pedido de revogação da preventiva”, disse. Alir Terra. Divulgação. Quem continua preso Além de Alir, continuam presos: Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo da Santa Casa; Rinaldo Romano, diretor administrativo-financeiro; Paulo Guilherme Gutierre Mariosa, diretor de Finanças Adjunto; Monique Gregório, supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística; Mauricio Aparecido Benites, empresário. As prisões são preventivas e não representam condenação. O g1 não encontrou, até esta publicação, contato das defesas dos outros cinco investigados. O espaço segue aberto. O que a operação investiga A Operação Antidotum foi deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande e Dourados (MS) e Goiânia (GO). A investigação começou a partir de suspeitas em um contrato da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a digitalização de prontuários médicos. O acordo previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo o MPMS, cerca de R$ 1,4 milhão teriam sido desviados somente no primeiro ano do contrato. A investigação também identificou suspeitas em contratos da Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela associação. Segundo o Ministério Público, os contratos foram firmados com empresas do mesmo grupo econômico, cujo proprietário teria ligação com integrantes da diretoria do hospital. As empresas estariam registradas no mesmo endereço, mas, conforme a investigação, o imóvel estava desocupado. Somente em 2025, a Operadora Santa Casa Saúde teria pago cerca de R$ 9,6 milhões a essas empresas. O MPMS afirma ainda que contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido omitidos de órgãos de fiscalização, como o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado. Até agora, o Ministério Público estima prejuízo de pelo menos R$ 4,9 milhões. O valor ainda está sendo calculado e pode aumentar, segundo o órgão. Ministério Público em operação na Santa Casa de Campo Grande Gabi Cenciarelli Crise na Santa Casa A operação ocorre em meio a uma crise financeira e assistencial na Santa Casa. Desde 29 de julho, o hospital mantém suspensas as cirurgias cardíacas pediátricas eletivas por falta de médicos especializados. A unidade é um dos principais hospitais de Mato Grosso do Sul e referência no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), recebendo pacientes de diferentes municípios para procedimentos de média e alta complexidade. Apesar das prisões de integrantes da administração, a instituição informou que os atendimentos à população seguem normalmente, sem prejuízo à assistência aos pacientes. Santa Casa manifesta apoio a diretores presos Em nota divulgada neste sábado (12), a Santa Casa informou que o Conselho de Administração se reuniu extraordinariamente após a operação para discutir medidas que garantam a continuidade dos serviços do hospital. A instituição afirmou que segue funcionando normalmente e que não haverá interrupção no atendimento à população. O conselho também manifestou solidariedade aos integrantes da diretoria atingidos pelas medidas cautelares e destacou a “dedicação, a integridade e os relevantes serviços prestados” por eles ao longo dos anos. A Santa Casa afirmou ainda que aguarda o esclarecimento dos fatos e reiterou confiança na Justiça. Leia a nota na íntegra: “A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande vem a público informar à sociedade, aos seus colaboradores e aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que o seu Conselho de Administração da Instituição reuniu-se extraordinariamente na tarde de ontem (sexta-feira) para deliberar sobre as medidas necessárias à manutenção e continuidade integral de todos os serviços de assistência à saúde prestados pelo Hospital. Diante dos acontecimentos recentes envolvendo a operação deflagrada pelo Ministério Público Estadual nesta sexta-feira, a instituição esclarece que continua operando regularmente, assegurando que o atendimento à população não sofrerá qualquer descontinuidade. O Conselho de Administração manifesta sua solidariedade aos membros da Diretoria afetados pelas medidas cautelares, enaltecendo a dedicação, a integridade e os relevantes serviços prestados por eles ao longo de anos de trabalho em prol do fortalecimento da Santa Casa e do bem-estar de toda a comunidade. A Associação aguarda o pleno esclarecimento dos fatos pelas autoridades competentes e reitera sua confiança na Justiça. Campo Grande/MS, 12 de setembro de 2026.” Veja mais vídeos do Mato Grosso do Sul