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Médica denuncia transfobia e falta de estrutura durante plantão em UPA de Campo Grande

UPA Coronel Antonino, Campo Grande TV Morena Uma médica de 27 anos registrou ocorrência policial após relatar ter sofrido discriminação por identidade de g...

Médica denuncia transfobia e falta de estrutura durante plantão em UPA de Campo Grande
Médica denuncia transfobia e falta de estrutura durante plantão em UPA de Campo Grande (Foto: Reprodução)

UPA Coronel Antonino, Campo Grande TV Morena Uma médica de 27 anos registrou ocorrência policial após relatar ter sofrido discriminação por identidade de gênero e enfrentar uma série de problemas estruturais durante um plantão em uma unidade de saúde de Campo Grande (MS), no bairro Monte Castelo, neste domingo (12). De acordo com o boletim, o caso foi registrado como prática de discriminação por LGBTfobia, com base na Lei nº 7.716/89. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A profissional, que atua na rede municipal e estava de plantão na unidade, contou que assumiu o atendimento por volta das 13h14, já com o setor superlotado. Havia pacientes em estado grave na chamada “sala vermelha”, além de outros aguardando atendimento. Segundo o relato, o fluxo de pacientes não parava de crescer, com chegadas constantes do Samu, Corpo de Bombeiros e outros serviços, mesmo com a unidade já cheia. Isso teria dificultado o atendimento adequado e contínuo dos casos mais graves. Entre os pacientes atendidos estavam casos de choque séptico, insuficiência cardíaca grave, crise falcêmica e problemas respiratórios. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que apura relato de possível conduta discriminatória, com medidas já em andamento. "A Pasta reforça que não compactua com discriminação e que preserva a identidade dos envolvidos, conforme a LGPD. Há um aumento na demanda por atendimentos nas unidades de urgência e emergência, em razão da sazonalidade de doenças respiratórias. As medidas adotadas seguem diretrizes do Ministério da Saúde, com monitoramento contínuo, adequação de fluxos e apoio de equipe médica móvel." Problemas graves de estrutura e equipamentos Durante atendimento de emergência, a médica precisou realizar uma intubação em um paciente em estado grave. No momento do procedimento, o único ambu disponível na unidade — que já estava remendado — quebrou, se desmontando durante a ventilação. Com isso, o paciente ficou cerca de 30 segundos sem ventilação adequada, chegando a apresentar queda significativa na oxigenação. Diante da falta de outro equipamento em condições de uso, a equipe foi obrigada a improvisar e utilizar um ambu pediátrico em um paciente adulto. A médica apontou diversas falhas que colocaram em risco o atendimento: Falta de equipamentos adequados: havia apenas um ambu (equipamento manual de ventilação), que estava remendado; Equipamento quebrou durante uso: o ambu desmontou no meio de uma intubação de emergência; Ausência de reserva: não havia outro equipamento em condições de uso na unidade; Uso improvisado: foi necessário utilizar um ambu pediátrico em um paciente adulto; Queda de oxigenação do paciente: durante a falha no equipamento, o paciente chegou a ter saturação de 65%; Erro durante procedimento: o tubo do paciente foi danificado acidentalmente durante ajuste; Falta de suporte médico: a profissional relatou que não conseguiu apoio suficiente para atender todos os pacientes ao mesmo tempo; Dificuldade para registrar atendimentos: devido à sobrecarga e ao cenário caótico, não conseguiu fazer evoluções médicas adequadamente. A médica afirmou que chegou a acionar a direção técnica da unidade para avaliar os problemas estruturais e a falta de condições de trabalho. Denúncia de transfobia durante atendimento Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ainda conforme o registro, a situação se agravou quando a diretora médica da unidade chegou ao local. A vítima, que se identifica como travesti, afirmou que foi tratada de forma desrespeitosa e teve sua identidade de gênero ignorada. Segundo ela, a superior: Utilizou pronomes masculinos repetidamente, mesmo após correções; Dirigiu-se a ela de forma considerada grosseira; Ignorou as explicações clínicas antes de fazer críticas; Desconsiderou sua autonomia como médica responsável pelo plantão. A profissional relatou que informou claramente seus pronomes femininos e pediu respeito à sua identidade de gênero, mas a conduta teria continuado. Expulsão do plantão De acordo com a denúncia, durante a discussão, a diretora teria elevado o tom de voz e determinado que a médica estava “expulsa” e “banida” da unidade, proibindo seu retorno. A médica disse que pediu a formalização da ordem por escrito, mas o pedido foi negado. Ela afirma que não poderia abandonar o plantão sem esse documento, por questões éticas. Mesmo assim, acabou sendo impedida de continuar suas funções. Antes de sair, a profissional registrou as informações dos pacientes e repassou os casos à equipe. Caso foi parar na polícia Diante da situação, a médica acionou a Polícia Militar ainda durante o plantão e, após o término, procurou a delegacia para registrar o caso. Ela pede providências em relação à discriminação de gênero e também aponta possível abuso de autoridade por parte da superior. A polícia registrou o caso como prática de discriminação por identidade de gênero, o que pode ser enquadrado na Lei de Racismo. O caso será investigado e outras possíveis infrações podem ser identificadas ao longo do inquérito. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: