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Família grande virou raridade? Mãe de 6 conta como é viver na contramão da 'tendência'

Raliani Arce, de 48 anos. Arquivo pessoal Em um país onde a maioria das mulheres tem um ou dois filhos e muitas optam por não ter nenhum, famílias grandes se...

Família grande virou raridade? Mãe de 6 conta como é viver na contramão da 'tendência'
Família grande virou raridade? Mãe de 6 conta como é viver na contramão da 'tendência' (Foto: Reprodução)

Raliani Arce, de 48 anos. Arquivo pessoal Em um país onde a maioria das mulheres tem um ou dois filhos e muitas optam por não ter nenhum, famílias grandes se tornaram cada vez mais raras. Ainda assim, algumas mães seguem na contramão da tendência e mantêm vivo o sonho da casa cheia. É o caso da professora Raliani Arce, de 48 anos, moradora de Campo Grande e mãe de seis filhas. Júlia, Sofia, Lúcia, Laura, Carolina e Letícia transformam a rotina da família em um misto de barulho, correria e afeto. Para Raliani, no entanto, esse sempre foi o plano. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A história dela destoa do cenário atual do país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil atingiu a menor taxa de fecundidade da história: 1,6 filho por mulher. Em 1960, a média era de mais de seis filhos. Número de filhos por mulher no Brasil é o menor da história, diz IBGE Hoje, o índice está abaixo da taxa de reposição populacional, estimada em 2,1 filhos por mulher, número necessário para manter a população estável ao longo das gerações. Em Mato Grosso do Sul, a média é de 1,83 filho por mulher, segundo o Censo 2022. Em Campo Grande, das 262 mil mulheres com filhos, apenas 11 mil têm seis filhos ou mais. Sonho de professora em ser mãe de muitos nasceu na infância Raliani conta que o desejo de ter muitos filhos nasceu ainda na infância. Ela cresceu em uma família grande e guarda lembranças afetivas da mãe preparando bolos, chá e organizando a rotina da casa cheia. “Minha mãe cuidava muito bem da turminha. Era uma vida simples, sem regalias, mas com conforto e segurança.” As reuniões na casa do avô também marcaram a memória dela. “Quando juntava todos os filhos e netos, eram 14 crianças correndo, brincando, chorando. Era uma loucura deliciosa.” O marido, Marcos, também cresceu cercado de familiares e compartilhava o mesmo sonho. Mas o caminho até a família numerosa foi cheio de desafios. Após o casamento, Raliani descobriu um quadro de infertilidade causado pela Síndrome do Ovário Policístico. Ela passou por tratamentos, enfrentou frustrações e sofreu uma gravidez tubária, que terminou em aborto e na perda de uma das trompas. Depois de muitas tentativas, nasceram Sofia e, anos depois, Lúcia. Em seguida vieram as gêmeas Laura e Carolina. A caçula Letícia nasceu quando Raliani tinha 44 anos. Hoje, a filha mais velha, Júlia, tem 24 anos, é casada e cursa Engenharia Civil. Sofia tem 16 anos e está no ensino médio. Já Lúcia tem 8 anos, as gêmeas Laura e Carolina têm 6 anos, e Letícia está com 2 anos e meio. 'Perguntam quando vem o menino' Júlia, Sofia, Lúcia, Laura, Carolina e Letícia. Arquivo pessoal Acostumada aos comentários sobre a família grande, Raliani diz que uma das perguntas mais frequentes é sobre a possibilidade de ter um filho homem. “Eu sempre quis ter um menino, mas para o meu esposo estava ótimo as meninas. E aí eu fui tentando, achando que agora vinha. Mas não foi da vontade de Deus.” Ela conta que hoje enxerga a situação com leveza. “Sou melhor com meninas do que com menino. Deus já sabia disso.” Raliani também se diverte ao imaginar os futuros netos. “Se cada filha tiver pelo menos dois filhos, já vou ter 12 netos. A casa cheia vai continuar.” Julgamentos e rotina intensa A professora diz que aprendeu a lidar com o espanto das pessoas quando descobrem que ela tem seis filhas. “Até gosto dos comentários. Perguntam quanto gasto de mercado, como faço. Mas quando a gente tem muitos filhos, não vive colocando tudo na ponta do lápis. Você faz o que precisa ser feito.” Ela afirma que a família vive de forma simples e adaptada à realidade financeira. “Como eu e meu esposo fomos criados, nossas filhas também crescem na simplicidade, na partilha e aprendendo a dividir.” Para acompanhar mais de perto a criação das meninas, Raliani reduziu a carga horária como professora e passou a ficar mais tempo em casa. Marcos se tornou o principal provedor da família. Mesmo assim, ela admite que a rotina exige organização constante. “Uma família de seis filhas tem uma demanda exigente, tanto de cuidados quanto financeira.” Uma mãe diferente em cada fase Raliani também fala sobre as mudanças na maternidade ao longo dos anos. Segundo ela, a experiência trouxe mais maturidade e transformou sua forma de criar as filhas. “Quando você tem o primeiro filho, erra muito. Às vezes o excesso de zelo faz a gente cometer equívocos.” Ela lembra que, quando as filhas mais velhas nasceram, trabalhava mais e tinha menos tempo para acompanhar momentos importantes. “Eu não fui na primeira festa junina da Sofia porque estava trabalhando. Muitas fases eu perdi.” Hoje, diz viver uma maternidade diferente com as mais novas. “Elas recebem uma mãe mais madura, com mais tempo e outro olhar.” Tempo para o casal Em meio à rotina intensa da casa cheia, Raliani e Marcos também fazem questão de reservar momentos a dois. “A gente tem esse cuidado de ter um tempo só nosso.” Segundo ela, o casal tenta sair pelo menos uma vez por mês para conversar, passear e manter a relação fortalecida. “Todo mundo quer a atenção do pai e da mãe, então a rotina fica puxada. Por isso a gente faz questão desses momentos juntos.” Apesar do cansaço, da logística e dos desafios financeiros, Raliani não se arrepende da escolha que fez. “Dá trabalho, mas eu não trocaria por nada.” Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: