cover
Tocando Agora:

Ex-vereador que virou sucateiro após demissão volta à Polícia Civil 6 anos depois em MS

Tiago Vargas volta à Polícia Civil. Reprodução O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), determinou nesta segunda-feira (26) a reintegração...

Ex-vereador que virou sucateiro após demissão volta à Polícia Civil 6 anos depois em MS
Ex-vereador que virou sucateiro após demissão volta à Polícia Civil 6 anos depois em MS (Foto: Reprodução)

Tiago Vargas volta à Polícia Civil. Reprodução O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), determinou nesta segunda-feira (26) a reintegração de Tiago Henrique Vargas ao cargo de investigador da Polícia Civil seis anos depois da demissão, ocorrida em 2020. A decisão está publicada no Diário Oficial do Estado. A medida torna sem efeito a demissão aplicada em julho de 2020 e também os atos decorrentes do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) aberto contra Tiago em 2019. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Após ser demitido da Polícia Civil e ficar inelegível, Tiago passou a trabalhar como catador de resíduos recicláveis e se intitular como "sucateiro" nas redes sociais. Conforme o texto oficial, a reintegração ocorre em cumprimento a uma decisão proferida em uma ação anulatória que tramita na Justiça Estadual. A ação citada se refere à decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que em julho deste ano determinou a reintegração do policial civil ao cargo e anulou a demissão. Agora no g1 O decreto enfatiza que a reintegração está "sub judice", termo jurídico que indica que a situação continua sob análise do Poder Judiciário ou depende do desfecho definitivo do processo. Isso significa que, embora o policial tenha sido reconduzido ao cargo, eventuais desdobramentos judiciais futuros ainda podem influenciar o caso. Até a última atualização desta reportagem, não havia informações no decreto sobre eventual pagamento retroativo de salários ou outras consequências financeiras decorrentes da reintegração. Também não foram detalhados os fundamentos da decisão judicial que levou à anulação da demissão. Demissão Tiago Vargas cumpre prisão domiciliar em decorrência de condenação em ação movida pelo ex-governador e senador eleito Reinaldo Azambuja (PL). Azambuja processou o ex-vereador após ele chamá-lo de “corrupto” em um vídeo publicado nas redes sociais. Nas redes sociais, Tiago compartilhou um trecho do decreto que determina sua reintegração ao cargo de investigador da Polícia Civil e comemorou a decisão. Na publicação, afirmou que a medida representa uma vitória após seis anos de disputas. “Depois de 6 anos de muitas lutas, Deus nos deu a vitória. Muito obrigado a cada pessoa que me colocou em suas orações”, escreveu. Quem é Tiago Vargas Tiago Vargas ganhou notoriedade na política de Campo Grande após ser eleito vereador em 2020 com a maior votação da cidade. Antes da carreira política, atuava como investigador da Polícia Civil. Durante o mandato, entre 2021 e 2024, ficou conhecido por posicionamentos polêmicos e embates públicos com autoridades estaduais e municipais. Em 2022, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul e obteve mais de 18 mil votos, mas não foi eleito. Em 2024, tentou a reeleição para a Câmara Municipal, mas não se elegeu. Longe da política e do serviço público, Tiago Vargas trabalha atualmente como catador de materiais recicláveis e é monitorado por tornozeleira eletrônica. Nesta quarta-feira (21), ele se manifestou no Instagram sobre a iniciativa do governo do estado. Tiago cumpre prisão domiciliar por força de condenação de ação movida pelo ex-governador e eleito senador nas eleições deste ano, Reinaldo Azambuja (PL). Azambuja processou Tiago após ser chamado de "corrupto" em vídeo publicado nas redes sociais. Agressões durante perícia médica e demissão A trajetória funcional de Tiago Henrique Vargas na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul foi marcada por uma série de conflitos administrativos e por uma tumultuada perícia médica que culminou em sua demissão do cargo de investigador. O episódio ocorreu em 30 de abril de 2019, na Agência de Previdência Social de Mato Grosso do Sul (Ageprev). A avaliação tinha como objetivo verificar a saúde mental e a capacidade funcional de Tiago. Na ocasião, ele teria relatado aos peritos que enfrentava sérias dificuldades para lidar com o público e que raramente saía de casa. Durante o exame, um dos médicos peritos exibiu um vídeo em que Tiago aparecia discursando com um microfone em um evento de caráter político e sindical. Diante das imagens, ele se levantou aos gritos, alegando que a perícia havia "perdido o foco", e chamou o médico de "safado". Segundo os relatos do episódio, Tiago deu um tapa forte em uma mesa e chutou outra, arremessando-a contra a parede e danificando o móvel. Em seguida, continuou a gritar e a xingar os demais integrantes da junta médica antes de deixar o local. A confusão na Ageprev motivou o registro de um boletim de ocorrência para apurar possíveis crimes de desacato, ameaça, dano qualificado ao patrimônio público e coação no curso de processo administrativo disciplinar. No âmbito administrativo, o governo estadual apurou o descumprimento de deveres e proibições previstos na Lei Orgânica da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. A administração concluiu que o comportamento do investigador durante a perícia era incompatível com o exercício da função policial. Testemunhas ouvidas durante o processo e informações da Corregedoria da Polícia Civil também apontaram que outros procedimentos foram instaurados em razão de manifestações públicas em redes sociais com ataques pessoais a diferentes pessoas. As condutas foram investigadas por possível violação aos deveres de hierarquia, disciplina e ética previstos na legislação que rege a carreira policial. LEIA TAMBÉM: Decisões do STJ e TSE mantêm Tiago Vargas inelegível e vereador não vai assumir como deputado em 2023 Vereador de Campo Grande é condenado por injúria contra o governador de MS Além do processo administrativo relacionado à perícia médica, Tiago Vargas respondeu a uma série de apurações internas na Corregedoria da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Ao todo, o servidor respondia a outros dez procedimentos administrativos, entre Processos Administrativos Disciplinares (PADs) e sindicâncias, relacionados a publicações com ataques a figuras políticas e a pessoas com quem mantinha desavenças. A demissão e a sequência de processos administrativos também tiveram repercussões sobre a trajetória política de Vargas. Em 2022, quando ainda era vereador, ele foi eleito deputado estadual, mas não chegou a assumir o mandato após ser considerado inelegível. Ele recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que rejeitou o recurso por unanimidade. Em 11 de julho de 2019, Tiago Vargas ajuizou uma ação anulatória contra o Estado. Na ocasião, ele pediu a anulação de 11 procedimentos disciplinares e o pagamento de indenização por danos morais, sob a alegação de perseguição política. Durante o andamento da ação, em julho de 2020, a conclusão do procedimento disciplinar resultou na aplicação da pena de demissão ao então investigador. Tiago Vargas. Reprodução/Instagram. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: