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Colecionador entrega Opala de luxo para conserto, paga R$ 15 mil e carro desaparece: ‘Não durmo mais’

Colecionador entrega Opala de luxo para conserto, paga R$ 15 mil e carro desaparece Um colecionador de carros antigos, de 73 anos, afirma ter perdido um Opala d...

Colecionador entrega Opala de luxo para conserto, paga R$ 15 mil e carro desaparece: ‘Não durmo mais’
Colecionador entrega Opala de luxo para conserto, paga R$ 15 mil e carro desaparece: ‘Não durmo mais’ (Foto: Reprodução)

Colecionador entrega Opala de luxo para conserto, paga R$ 15 mil e carro desaparece Um colecionador de carros antigos, de 73 anos, afirma ter perdido um Opala de 1977 e R$ 15,3 mil após entregar o veículo a um homem que faria reparos mecânicos, em Campo Grande. Segundo Nilson da Silva, o carro foi levado para uma suposta oficina no dia 25 de agosto e, mais de um mês depois, ainda não foi recuperado. O caso é investigado pela Polícia Civil como estelionato. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Para Nilson, o desaparecimento deixou um vazio que vai além do prejuízo financeiro. Ex-caminhoneiro e guincheiro, ele passou a vida entre veículos, chegou a ter 11 carros antigos na garagem e cuidava pessoalmente de cada um. Com o Opala, rodou menos de 100 quilômetros em três anos. Hoje, o aposentado olha para o espaço onde o carro ficava e tenta lidar com a ausência. Nilson mora sozinho há mais de 30 anos e conta que, desde o desaparecimento, perdeu o sono e até a vontade de comer. Durante a entrevista, se emocionou ao falar do veículo. “É um braço direito que está faltando. Toda hora que eu olho no lugar dele, está vazio. Não é fácil.” Seo Nilson em entrevista com o g1 Gabi Cenciarelli Segundo o boletim de ocorrência, Nilson entregou o Opala para reparos em um endereço no bairro Santa Luzia. Depois disso, fez sucessivos pagamentos para supostos serviços e peças. Até 8 de setembro, foram R$ 15,3 mil. Dias depois, ele perdeu contato com o homem. Ao procurar pelo carro, encontrou o endereço fechado e descobriu que o Opala não estava mais no local. Nilson afirma ainda que foi bloqueado no telefone. O caso foi registrado em 15 de setembro na 2ª Delegacia de Polícia de Campo Grande. No boletim de ocorrência, a autoria consta como “a apurar”. Desaparecimento Tudo começou em 25 de agosto, quando Nilson tentava resolver um problema elétrico no Opala. Um conhecido indicou um homem que poderia fazer o serviço e, segundo o aposentado, garantiu que ele era de confiança. Poucos minutos depois, o homem apareceu com uma mala de ferramentas, abriu o capô e avaliou o veículo. Disse que o problema não poderia ser resolvido ali e que seria necessário levar o Opala até uma oficina. Nilson comprou uma bateria nova, por cerca de R$ 820, e pagou outros R$ 170 pelo guincho que transportou o carro até o endereço indicado, no Santa Luzia. O aposentado acompanhou o transporte e, quando chegou ao local, estranhou não encontrar a oficina como imaginava. Ao questionar o homem, recebeu a explicação de que ela ficava na parte do imóvel voltada para outra rua. Nilson acreditou e deixou o veículo no endereço. Foi a última vez que viu o Opala. Cerca de três dias depois, começaram os pedidos de dinheiro. Nilson relata cobranças de R$ 2,2 mil, R$ 1,4 mil, mais de R$ 3 mil e outros valores, que seriam usados em peças e serviços. Como queria aproveitar o período na oficina para fazer tudo o que fosse necessário no carro, continuou pagando. A última entrega ocorreu em 8 de setembro, quando, segundo o aposentado, o homem foi até a casa dele e recebeu mais R$ 5,1 mil. Somados, os pagamentos chegaram a R$ 15,3 mil, valor que também consta no boletim de ocorrência. Nos dias seguintes, Nilson ainda conseguiu contato. Em uma das conversas, o homem teria dito que estava em Miranda, trabalhando com máquinas em uma fazenda, e que retornaria a Campo Grande. Por volta dos dias 11 e 12 de setembro, porém, as respostas pararam e o aposentado percebeu que havia sido bloqueado. Em uma das tentativas de ligação, outra pessoa chegou a atender e afirmou que o telefone estava em conserto. Nilson decidiu então procurar pessoalmente pelo veículo. Encontrou o endereço fechado e o Opala já não estava lá. “Levou meu dinheiro, levou o carro. Nunca mais vi o carro até hoje.” Nilson em frente ao Opala Divulgação Uma vida entre carros antigos O desaparecimento atingiu uma paixão que acompanha Nilson há décadas. Antes de ser colecionador, ele viveu de veículos: foi motorista de caminhão, caminhoneiro e guincheiro. Aposentou-se aos 52 anos, mas os carros continuaram ocupando espaço na vida e na garagem. Ao longo dos anos, chegou a reunir 11 veículos antigos. Entre os modelos que já teve estão uma BMW de 1992, um Fusca 1972 e um Jeep 1968. Se tivesse mais espaço, conta que a coleção seria ainda maior. O Opala chegou às mãos dele há cerca de três anos, após uma negociação com outro colecionador. O veículo veio de Mato Grosso para Campo Grande em uma cegonha, acompanhado de um Jeep e um Fusca. Nilson afirma ter pago R$ 40 mil pelo Opala e diz que não o venderia nem por R$ 80 mil. Mas é outro número que ajuda a dimensionar o cuidado com o carro: menos de 100 quilômetros em três anos. O Opala praticamente não saía da garagem. Nilson cuidava pessoalmente do abastecimento, dos pneus e da limpeza, e um dos filhos, que também gosta de carros antigos, chegou a dirigir o veículo algumas vezes. “Eu amo esse carro.” O aposentado também conhece de memória cada detalhe do veículo que procura. É um Opala Luxo 1977, verde-esmeralda perolizado, de duas portas e com quatro rodas SS. Nilson também chama o modelo de “rabo de peixe” e afirma nunca ter visto outro com as mesmas características circulando por Campo Grande. “O meu Opala é um Opala verde-esmeralda, perolizado, com as quatro rodas SS, Opala rabo de peixe, Opala de luxo, esporte, duas portas, não é quatro. [...] Igual não existe. Campo Grande eu ainda não vi, ninguém viu e me avisou: ‘Eu vi um carro igual ao seu’. Ninguém ainda.” Por conhecer tão bem o veículo, Nilson acredita que conseguiria identificá-lo imediatamente caso voltasse a vê-lo, mesmo depois de mais de um mês. ‘Achando que já vi de tudo’ Aos 73 anos, Nilson diz que o que mais pesa é ter confiado em alguém para cuidar de um bem que preservava havia anos e descobrir, depois, que havia sido enganado. O aposentado mora sozinho há mais de três décadas e conta que o episódio passou a afetar também a rotina dentro de casa. Desde que perdeu o Opala, diz ter dificuldades para dormir e comer. Durante a entrevista, se emocionou ao falar sobre como a experiência abalou a confiança que tinha na própria vivência. “Deito, não durmo. Vou comer, não tenho vontade de comer. Sabe o que é um trauma? Coisa mais triste do mundo. Eu, com 73 anos, achando que já vi de tudo, eu não vi nada. Sei de tudo, não sei de nada.” Mais de um mês depois, Nilson ainda não sabe onde está o Opala nem em quais condições poderá encontrá-lo. Mesmo assim, não desistiu. Se receber alguma informação sobre o paradeiro do veículo, afirma que irá buscá-lo, mesmo que esteja fora de Mato Grosso do Sul. E, caso o carro já não tenha condições de voltar rodando, o ex-guincheiro sabe exatamente como pretende trazê-lo para casa. “Eu pago um guincho para pôr aqui no lugar que ele estava.” É para esse lugar, ainda vazio na garagem, que Nilson espera ver o Opala voltar. Veja mais vídeos do Mato Grosso do Sul