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Artesãs Kadiwéu levam cerâmicas feitas com barro da própria terra ao Festival de Bonito

Artesãs Kadiwéu levam tradição e cerâmica ao Festival de Bonito Antônio Bispo Do barro retirado da própria terra às peças moldadas e queimadas no fogo,...

Artesãs Kadiwéu levam cerâmicas feitas com barro da própria terra ao Festival de Bonito
Artesãs Kadiwéu levam cerâmicas feitas com barro da própria terra ao Festival de Bonito (Foto: Reprodução)

Artesãs Kadiwéu levam tradição e cerâmica ao Festival de Bonito Antônio Bispo Do barro retirado da própria terra às peças moldadas e queimadas no fogo, a arte das mulheres Kadiwéu ganhou espaço no Festival de Inverno de Bonito (MS). Pela primeira vez, um grupo de artesãs participa do evento para apresentar e vender cerâmicas produzidas dentro do Território Indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho. Entre as expositoras está Neilce Bernaldino da Silva, que cresceu convivendo com as artesãs e hoje participa do processo de recuperação da produção de cerâmica em sua comunidade. Segundo ela, o trabalho começou a ser retomado no ano passado e reúne mulheres das aldeias Tomázia, Alves de Barro e Campina. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Agora no g1 “É um privilégio muito grande de podermos estar aqui vendendo. Nossa venda está sendo um sucesso”, contou. Barro é retirado da própria terra O processo para transformar o barro em uma peça começa ainda na natureza. As artesãs retiram a matéria-prima dentro do próprio território indígena e fazem todo o trabalho manualmente. Depois de moldadas, as peças não são levadas a fornos industriais. A queima é feita diretamente com fogo. “É muito trabalhoso, desde a coleta do barro até a queima. Nossas peças são queimadas com fogo, não com forno”, explicou Neilce. Até as cores usadas nas peças vêm da natureza. Segundo a artesã, não são utilizadas tintas compradas. Os próprios tipos e tonalidades do barro são aproveitados para criar os desenhos e acabamentos. “Todos os materiais são da natureza. Até as tintas também são da natureza, do próprio barro. A gente não compra nenhum tipo de tinta”, disse. A técnica também carrega uma história que atravessa gerações. O conhecimento é ensinado principalmente dentro das famílias, passando de mãe para filha. A intenção das artesãs é manter essa tradição viva e ensinar o trabalho às próximas gerações. “Futuramente, nosso foco é passar para os nossos filhos, os netos”, afirmou Neilce. Nova marca reúne produção das artesãs A participação no festival também marca o lançamento de uma nova marca criada para reunir e dar maior visibilidade aos produtos Kadiwéu. A Godidiko reúne cerâmicas, camisetas e bolsas com grafismos tradicionais. A proposta é aproximar os produtos de novos compradores sem deixar de lado os conhecimentos e a identidade cultural das comunidades. O lançamento ocorreu na sexta-feira (28), no Espaço de Economia Criativa do festival. Cerca de seis artistas Kadiwéu apresentaram parte do catálogo desenvolvido durante o projeto. As artesãs permanecem no espaço durante o Festival de Inverno, onde expõem e comercializam os produtos. A criação da marca é resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de oito meses, com atividades de qualificação da produção, orientação sobre apresentação dos produtos e preparação para novos mercados. Para Madalena, da Aldeia Tomázia, as capacitações ajudaram a ampliar a produção de peças. “Eu só tenho a agradecer aos nossos caciques, líderes e aos professores que nos ensinaram”, afirmou. Para Elenilda, também da Aldeia Tomázia, estar no festival tem um significado ainda maior por representar a comunidade em um espaço diferente das aldeias. “Pela primeira vez vou sair para representar a comunidade em um espaço como esse. É uma honra representar as mulheres ceramistas”, disse. Artesanato busca novos públicos A participação no Festival de Inverno representa uma nova etapa para as artesãs, que agora conseguem apresentar o trabalho para pessoas de diferentes lugares e ampliar as possibilidades de venda. O Território Indígena Kadiwéu fica em Porto Murtinho e tem cerca de 538 mil hectares. O local reúne conhecimentos tradicionais, grafismos e uma produção de cerâmica marcada pelas técnicas e características próprias do povo Kadiwéu. O trabalho de fortalecimento do artesanato é desenvolvido pela Wetlands International Brasil e pela Mupan – Mulheres e Lideranças pelas Áreas Úmidas, organizações que atuam com o povo Kadiwéu desde 2015. Desde 2017, a iniciativa também integra ações do Programa Corredor Azul. A ideia é ajudar as artesãs a alcançar novos espaços de comercialização, mas mantendo a identidade e os conhecimentos tradicionais presentes em cada peça. Festival segue até domingo O Festival de Inverno de Bonito começou na quarta-feira (26) e segue até domingo (30), com atrações gratuitas espalhadas por diferentes pontos da cidade. Além do artesanato e da economia criativa, a programação reúne música, teatro, dança, literatura, exposições e outras manifestações culturais. Neste sábado (29), a principal atração é Seu Jorge, que sobe ao Palco Sol com um repertório que mistura samba, soul, MPB e funk. No domingo (30), Humberto & Ronaldo encerram o festival com sucessos do sertanejo universitário. As artesãs Kadiwéu também permanecem no festival neste fim de semana, com exposição e venda das peças produzidas no território indígena. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: