A cidade de MS que concentra 42% de todas as mortes por chikungunya do Brasil em 2026
Dourados, em Mato Grosso do Sul, decreta calamidade por causa de epidemia de chikungunya Dourados concentra 42% das mortes por chikungunya no Brasil em 2026, se...
Dourados, em Mato Grosso do Sul, decreta calamidade por causa de epidemia de chikungunya Dourados concentra 42% das mortes por chikungunya no Brasil em 2026, segundo o Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde. Das 20 mortes registradas no país, 13 ocorreram em Mato Grosso do Sul — oito delas no município, a maioria entre indígenas. Diante do avanço da doença, a prefeitura decretou calamidade em saúde pública e abriu contratação emergencial de médicos e enfermeiros. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Antes disso, já havia sido declarada emergência em saúde pública e em defesa civil. Os dados mais recentes apontam: 6.186 casos prováveis da doença; Taxa de positividade de 64,9%; Ocupação de leitos em cerca de 110%, acima da capacidade instalada. Assim como dengue e zika, chikungunya também é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti Getty Images Por que Dourados preocupa autoridades de saúde O alto número de mortes em Dourados acende alerta entre autoridades sanitárias porque o município concentra quase metade das mortes por chikungunya do país. A situação é considerada crítica devido a fatores como: Grande número de casos concentrados; Presença da Reserva Indígena, com características próprias de atendimento; Aumento da circulação do vírus na área urbana; Pressão crescente sobre hospitais e unidades de saúde. Especialistas apontam que a combinação desses fatores exige resposta rápida e coordenada para evitar o agravamento do cenário. Vacina contra Chikungunya começa ser aplicada em Dourados Divulgação/Assecom Contratação emergencial tenta reforçar atendimento A Prefeitura de Dourados publicou um edital para contratação emergencial de médicos e enfermeiros, com início imediato das atividades. A medida foi assinada pelo secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, e pretende reforçar o atendimento nas unidades de saúde diante do crescimento expressivo dos casos da doença. Segundo o edital n.º 27/2026/SEMS/PMD, os profissionais selecionados poderão atuar em: Unidades Básicas de Saúde (UBSs); Unidades de Pronto Atendimento (UPAs); Hospitais públicos ou conveniados. A contratação será temporária e válida apenas enquanto durar a emergência sanitária no município. Conforme o secretário, a medida busca evitar o agravamento da situação. “O risco iminente de colapso da rede pública de saúde e a necessidade de resposta imediata para garantia da continuidade dos serviços essenciais justificam a medida”, afirmou Márcio Figueiredo. Como funciona o processo seletivo Dourados tem 42% de todas as mortes por chikungunya no Brasil. Franz Mendes-UFGD/Reprodução O processo seletivo será simplificado, como prevê a legislação para situações emergenciais. Os interessados devem comparecer imediatamente à Secretaria Municipal de Saúde, localizada na Rua Coronel Ponciano, nº 900, das 8h às 13h, com os documentos exigidos. Entre os principais documentos estão: Documento de identificação com foto; CPF; Diploma ou certificado de escolaridade; Registro profissional; Comprovante de experiência na área nos últimos cinco anos. A classificação será feita com base no tempo de experiência profissional. Em caso de empate, terá prioridade o candidato de maior idade. Plano de ação define estratégia contra epidemia Além da contratação emergencial, o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE) publicou um Plano de Ação de Incidente com medidas para enfrentar a epidemia. O documento tem 36 páginas e organiza as estratégias que serão adotadas tanto na área urbana quanto na Reserva Indígena de Dourados, onde se concentra parte significativa dos casos. Segundo o secretário municipal de Saúde, o plano considera o cenário crítico da doença. “Plano de Ação considera o cenário epidemiológico caracterizado pela evidência de transmissão sustentada e expansão do agravamento da doença com impacto significativo na rede de atenção à saúde”, explicou Márcio Figueiredo. O plano prevê ações como: Reorganização da rede de atendimento; Ampliação da capacidade de diagnóstico; Padronização dos fluxos de atendimento; Monitoramento constante dos casos; Integração entre equipes da rede urbana e da saúde indígena. A articulação entre a prefeitura e o Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS) é considerada essencial para garantir atendimento adequado às comunidades indígenas. Segundo a prefeitura, esse cenário indica dificuldade para atender pacientes, principalmente em casos graves. O decreto de calamidade tem validade inicial de 90 dias. Vacinação começou como medida para conter avanço Vacina do Butantan A campanha de vacinação contra chikungunya também foi iniciada como parte das estratégias para conter a doença em Mato Grosso do Sul. A meta é vacinar cerca de 43 mil pessoas, o equivalente a 27% da população-alvo. Conforme as regras do Ministério da Saúde, podem receber a vacina pessoas: Com idade entre 18 e 60 anos. A aplicação não é indicada para: Gestantes ou lactantes; Pessoas com imunodeficiência; Pacientes em tratamento contra câncer; Transplantados recentes; Pessoas com doenças autoimunes; Pessoas com múltiplas doenças crônicas. Também não podem receber a vacina pessoas que: Tiveram chikungunya nos últimos 30 dias; Estejam com febre grave; Tenham recebido recentemente outras vacinas específicas. A imunização ocorre após avaliação individual feita por profissionais de saúde. Governo federal liberou recursos emergenciais Para ajudar no combate à doença, o Ministério da Saúde liberou R$ 900 mil em recursos emergenciais para Dourados. O valor será utilizado em ações como: Vigilância em saúde; Combate ao mosquito Aedes aegypti; Qualificação do atendimento; Apoio às equipes de saúde. Entenda o que é a chikungunya A chikungunya é uma doença causada por vírus transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue e zika. Entre os principais sintomas estão: Febre alta; Dor intensa nas articulações; Inchaço nas articulações; Cansaço extremo. Em casos graves, a doença pode levar à internação hospitalar e até à morte, principalmente em pessoas com condições de saúde mais frágeis. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: